sexta-feira, 27 de junho de 2014

Doutor da Borracha produz peças a partir da seiva da seringueira

RIO BRANCO – Arte e proteção do meio ambiente. É assim que o trabalho do seringueiro e artesão José Rodrigues de Araújo pode ser definido. Popularmente conhecido como ‘Doutor da Borracha’, Rodrigues fabrica na residência, localizada no município de Epitaciolândia  (distante 243 km  de Rio Branco), peças artesanais a partir da seiva da seringueira.
Há sete anos, o seringueiro cria os modelos e em 2004 participou do primeiro curso de artesanato, promovido pela Prefeitura na época, em Assis Brasil. Rodrigues informou ao Portal Amazônia que o primeiro contato foi imprescindível para estruturar a elaboração das peças.
'Doutor da Borracha' tem orgulho das origens acreanas.  Foto: Arison Jardim/Secom
‘Doutor da Borracha’  e a esposa, expõe as peças artesanais fabricadas por ele. Foto: Arison Jardim
Novas técnicas
No ano de 2007, o Doutor Borracha renovou a técnica para tornar o trabalho ainda mais prático. O novo método chamado de Folha Semiartefato (FSA), desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB), possibilitou um aumento na comercialização dos produtos e agregou qualidade. Para José, antes do curso sua renda dependia exclusivamente do valor de mercado da borracha.
Hoje, o seringueiro depende apenas das encomendas e que, de acordo com ele, são muitas. “As peças como bolsas, colares e sapatos variam de R$ 10 a R$ 70. Eu acredito ser um preço justo, pois realizo todo o processo sozinho”. O seringueiro leva em média quatro horas de trabalho para colher a seiva da seringueira e montar as peças, mas a secagem leva de 10 a 15 dias.
Incentivo
O seringueiro participou de outro projeto no Estado, o Acre Látex Design Lab, que difunde a cultura dos povos indígenas e possibilita a geração de renda às inúmeras famílias de seringueiros que vivem no interior do Acre. O Centro de Pesquisa do Instituto Europeu de Design (IED) de São Paulo, convidado a idealizar o projeto, teve grande papel na instrução dos mais de 20 artesões acreanos que vieram para a capital durante o período de 17 a 21 de fevereiro deste ano.
Um grupo de designers e professores da instituição ministrou oficinas e novas metodologias para que os artesãos aprimorassem as técnicas. “Cada artesão é um multiplicador e leva os conhecimentos adquiridos à sua comunidade”, explica a arquiteta e light designer – Marlúcia Cândida.
Acre no Exterior
Recentemente Marlúcia,o artesão José Rodrigues e o diretor do IED Brasil, Victor Megido, estiveram em um evento de designer, realizado no Salone Internazionale del Mobile (Salão Internacional do Móvel de Milão), na Itália. Os calçados, colares e bolsas – produtos do projeto – foram expostos no Espaço Brasil S/A.
Alguns dos produtos expostos no espaço Brasil S/A em Milão, através do projeto Acre Design Lab. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia
Alguns dos produtos que foram expostos no espaço Brasil S/A em Milão, através do projeto Acre Design Lab. Foto: Fany Dimytria
O artesão Gilberto Maia, 50, também participou do projeto e conta que o artesanato garante uma renda melhor. O artesão fabrica peças decorativas como onça pintada, jabutis, além de sandálias e bolsas com a seiva da seringueira. Maia conta que com o projeto, aprendeu a preservar e cuidar do meio ambiente.  “Hoje tenho muito mais respeito pela natureza”, finaliza.
Artesão Gilberto Maia acredita no equilíbrio com o meio ambiente. Foto: Fany Dimytria/Portal Amazônia
Artesão Gilberto Maia acredita no equilíbrio com o meio ambiente. Foto: Fany Dimytria
Resultados 
Na última quarta-feira o workshop do projeto Acre Látex Design Lab, exposto no auditório da Casa da Indústria, teve como objetivo apresentar ao público o resultado do projeto que capacitou os artesões – e moradores das comunidades – e estimula a sustentabilidade e a renda autônoma dos seringueiros.

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