terça-feira, 15 de abril de 2014


1886, Amazónia. Início de Verão no imenso Brasil tropical, sob o governo imperial de Sua Majestade D. Pedro II.





O local: o “encontro das águas” poderosas do Rio Solimões – que daí em diante ganha nome de Amazonas -e do Rio Negro, o seu maior afluente.




Não, não é um livro que demora anos a ler, nem sofre de um exército de notas. É para a juventude. O acaso fez com que esta história me parasse na mesa de leitura e aqui fica o exemplo: divulgar História não tem idade. Sobretudo, bem orientada pela bússola da autora de escrita viva, envolvente e informativa para todos.

Bernardo de Bourbon, protagonista imaginário da aventura, tenta descobrir quem são as misteriosas Amazonas na infindável selva e qual o tesouro que as lendárias mulheres guerreiras tão ciosamente guardam.



Rodeados pela força serena da natureza, uns quilómetros acima da confluência do Atlântico com o rio mais extenso do planeta. Entre a luminosa atmosfera húmida e a densa vegetação exuberante, conhecemos as tribos nativas e os seus rituais esotéricos. O leitor percorre a buliçosa e colorida Manaus colonial, passeia de barco – tal como a autora - pelos rios Negro e Amazonas e desfruta o exótico pequeno-almoço (café da manhã) de ricos sabores.




Seguem-se os passos de personagens históricos, como o botânico e etnógrafo João Barbosa Rodrigues – que transcreveu a lenda Tupi da Senhora da água, Iara ou Yara, a mais bela mulher das tribos que habitavam as margens do Amazonas, transformada em sereia pela maldade dos homens, a quem passou a atormentar, arrastando-os para as profundezas aquáticas - na sua missão científica que o levará a dirigir o primeiro Jardim Botânico de Manaus e a dirigir em seguida a mesma instituição no Rio de Janeiro (actualmente um dos ex-libris da Cidade Maravilhosa ). Rendido ao mito imemorial das amazonas, dedicou-lhes um estudo onde as descreve como "Virgens Sagradas" (entre outrasobras históricas de interesse).


Gravura adaptada da obra pioneira de André Thevet, Singularités de la France Antarctique (1557) [tradução moderna aqui],
mostrando "como as amazonas tratam aqueles que cativam"

 Fonte inesgotável de utopias e fascínios, o El Dorado perdido na selva que dominou tantas imaginações europeias no Renascimento e arrastou tantos exploradores para a perdição. Não por acaso, a lenda das amazonas foi frequentemente associada ao mito do Eldorado, em cujas vizinhanças elas supostamente viveriam.




Lendas, costumes indígenas e curiosidades várias na época da abolição da escravatura transmitidas pela hábil narradora, que nos convida a reviver esse final de Oitocentos. Numa palavra: refrescante.




Eu cada vez mais me lembro de que nós já fomos isto tudo, misto de mar, mito e maravilha.
É bom lembrar. De preferência com o pé na água, naquelas e noutras terras quentes temperadas pelos imensos mares que nos aproximaram.

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