sábado, 27 de setembro de 2014

Publicidade na Época do Fausto

Existe uma certa rixa entre designers e publicitários, um diz que o outro não deveria existir. A sociedade não consegue diferenciar os profissionais e a confusão por si só existiria.  EU  como sou de uma geração que acredita que tem espaço pra todos e que podemos viver em harmonia não vou ficar aqui aumentando essa confusão, tenho irmão publicitário e vários amigos publicitários também.
Ok, dito isto vamos ao que interessa, são alguns manifestos antigos que circulavam em Manaus em busca de novos consumidores, novos revendedores, bem típico da publicidade. Um bom publicitário sabe persuadir, convencer o consumidor de forma inovadora, a adquirir o que está sendo sugerido e a pensar como o público-alvo para traçar o planejamento de campanha de forma apropriada e estruturada. Está sempre antenado aos acontecimentos do mundo e não é preconceituoso, pois para esta profissão é preciso conhecer de tudo e todos: pessoas de todos os lugares e classes sociais e informações de relevância variada.
Como na época do Fausto, Manaus vivia seu apogeu econômico e as pessoas mais ricas eram cada vez mais ricas, as publicidades que estarei ilustrando aqui eram voltadas para essas pessoas.
Propaganda dos “Armazens Andresen” sociedade anônima, cujos sócios portugueses tinham origem dinamarquesa, instalada na praça Tamandaré, ocupava as esquinas das ruas Guilherme Moreira e Marcílio Dias. Além de comerciantes, eram armadores fluviais.
Propaganda dos “Armazens Andresen” sociedade anônima, cujos sócios portugueses tinham origem dinamarquesa, instalada na praça Tamandaré, ocupava as esquinas das ruas Guilherme Moreira e Marcílio Dias. Além de comerciantes, eram armadores fluviais.

Reclame da fábrica de águas gasosas de Andrade Irmãos, fabricantes e revendedores de bebidas das mais diversas origens. Observe a qualidade artística do material.
Reclame da fábrica de águas gasosas de Andrade Irmãos, fabricantes e revendedores de bebidas das mais diversas origens. Observe a qualidade artística do material.
Anúncio mostrando o interior do Bazar Amazonense, especialista em artigos masculinos e fazendas finas, localizava-se na Rua dos Barés, n°1. Para ser elegante em Manaus era preciso, no mínimo, importar o tecido.
Anúncio mostrando o interior do Bazar Amazonense, especialista em artigos masculinos e fazendas finas, localizava-se na Rua dos Barés, n°1. Para ser elegante em Manaus era preciso, no mínimo, importar o tecido.
Cartaz litográfico da casa Rouaix & Cia, sucessores da antiga Casa de Madame Marie, especialista em roupas finas e adereços para senhoras, localizada na Av. Eduardo Ribeiro com a Rua Municipal.
Cartaz litográfico da casa Rouaix & Cia, sucessores da antiga Casa de Madame Marie, especialista em roupas finas e adereços para senhoras, localizada na Av. Eduardo Ribeiro com a Rua Municipal.
Anúncio da loja de modas “O Novo Mundo”, localizada na Rua Joaquim Sarmento, n° 2 – especialista em artigos femininos.
Anúncio da loja de modas “O Novo Mundo”, localizada na Rua Joaquim Sarmento, n° 2 – especialista em artigos femininos.
Reclame da casa Itatiayam fabricante dos cigarros Itatiaya, em tabacaria instalada na Rua Municipal, n° 68.
Reclame da casa Itatiayam fabricante dos cigarros Itatiaya, em tabacaria instalada na Rua Municipal, n° 68.
Cartaz litográfico da Pharmacia Cesario, estabelecida na Rua Marcílio Dias. Atente-se para a bela policromia, produzida pelas oficinas Gallimard, Paris.
Cartaz litográfico da Pharmacia Cesario, estabelecida na Rua Marcílio Dias. Atente-se para a bela policromia, produzida pelas oficinas Gallimard, Paris.
Cartaz de divulgação da tradicional casa de modas e confecções Au Bon Marché, estabelecida na Rua Municipal, 67. Foi, durante anos, ponto de elegância da sociedade manauense. Tempos eufóricos da belle époque.
Cartaz de divulgação da tradicional casa de modas e confecções Au Bon Marché, estabelecida na Rua Municipal, 67. Foi, durante anos, ponto de elegância da sociedade manauense. Tempos eufóricos da belle époque.

Marina e PT são iguais, afirma Aécio em entrevista

Marina e PT são iguais, afirma Aécio em entrevista

Aécio fala sobre o crescimento de sua candidatura e mostra confiança na vitória
Publi

O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, lembrou, em entrevista publicada neste domingo (21/09), a longa história de militância da candidata do PSB, Marina Silva, dentro do PT, inclusive na época do escândalo do Mensalão. Ele também citou as contradições entre o que ela defende hoje e o que pregou no passado. A entrevista foi publicada hoje pelos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense.
Aécio lembrou ainda que um eventual governo de Marina seria sustentado com apoio do PT. O partido está no poder há 12 anos, muitos deles com a participação de Marina no Ministério petista. Hoje, 70% dos eleitores têm demonstrado o desejo de ir às urnas para mudar o rumo do Brasil.
“O PT busca desconstruir a Marina de uma forma que eu não tenho feito. Ao contrário, sou solidário a Marina pelos ataques pessoais que tem recebido. O que faço é um registro histórico, e a história ninguém muda. Hoje, vejo a Marina defendendo o fim da inflação, mas, quando enfrentamos a inflação com o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, ela estava no PT contra isso. Quando denunciamos o mensalão e defendíamos que fossem processados todos os envolvidos, Marina estava no PT e, silenciosa, continuou, ao lado de Dilma, como ministra”, afirmou Aécio.
“[Marina] continuou até o limite, até o momento que sai para ser candidata a presidente da República. Somos em grande parte aquilo que fizemos ao longo das nossas vidas. Acho que a Marina, se vencer as eleições, vai governar em grande parte com o PT”, completou.
Aécio afirmou ser importante lembrar a história da candidata do PSB para deixar claro para o eleitor quem é Marina Silva. “Qual Marina é candidata? É a Marina que hoje afaga o agronegócio ou a que tentava inviabilizar o agronegócio proibindo os transgênicos? É essa que defende o modelo macroeconômico do PSDB e o combate à inflação ou aquela que no PT criou todas as dificuldades para controlar a inflação, para aprovação do Plano Real? É a que hoje propõe a meritocracia no serviço público com remuneração variável em função de metas ou aquela que dentro do PT atuava para fortalecer o corporativismo?”, questionou.
Veja abaixo os principais pontos da entrevista:
Crescimento da candidatura Aécio e segundo turno
“Tenho absoluta confiança que sim [estarei no segundo turno], porque as pesquisas internas que estamos fazendo mostram que esse crescimento está se dando em uma velocidade até maior do que essas pesquisas tradicionais apontam. Estamos avaliando quais as razões pelas quais está havendo essa mudança e percebemos que houve realmente uma migração de votos para a Marina, em um primeiro momento, mas as pessoas estão percebendo que não basta querer mudar. É preciso mostrar como vai mudar. E há uma possibilidade concreta de mudança real no Brasil hoje, que é a nossa. Mais de 70% da população quer uma mudança e não com o novo PT. É isso que tem feito com que nosso nome recupere terreno em várias regiões do país”.
Peso de Minas na eleição
“Minas é decisiva. Minha grande expectativa é que de Minas venha esse movimento mais forte de mudança, porque Minas me conhece, sabe o governo que fizemos, o que o governador (Antonio) Anastasia fez depois. E o Pimenta da Veiga é a garantia de continuidade de um governo honrado, sério, com dificuldades, claro, mas que o Brasil inteiro aprendeu a respeitar. O PT vem perdendo as eleições em todos os Estados brasileiros expressivos que governa e acredito que perderá também no nível nacional. Eu não posso compreender que, em Minas Gerais, o PT possa vencer as eleições. Até porque, se isso acontecesse – eu espero que não –, vamos ter aqui um fluxo de petistas de todas as partes do Brasil, porque é assim que eles operam.”
Vitória de Aécio e Pimenta da Veiga
“Tenho muita confiança de que a seriedade da nossa proposta, a responsabilidade que sempre tivemos com Minas, vai nos fazer vencer as eleições com Pimenta da Veiga e a nossa candidatura no Estado. O governo federal do PT governou de costas para Minas Gerais, não houve um projeto estruturante. Quando discutíamos e debatíamos investimentos novos em Minas Gerais, como a nova fábrica da Fiat, o polo petroquímico em Ibirité, o PT optou por levá-los para outras regiões do Brasil. E quando falávamos de investimentos em mobilidade, o PT priorizou sempre outras regiões do Brasil. O PT desprezou Minas ao longo de todos esses anos e não merece governar o Estado. O PT deveria estar envergonhado de pedir votos em Minas Gerais. Quando lutamos ao longo de todos os últimos quase 10 anos para a aprovação do novo código da mineração, que incrementaria mais de R$ 1 bilhão anualmente em Minas Gerais, o governo federal não deu prioridade. Não vejo autoridade no governo do PT hoje para pedir apoio dos mineiros.”
Onda da Razão
“Tivemos, na verdade, duas eleições completamente diferentes. Até o falecimento do ex-governador Eduardo Campos, nosso nome claramente era aquele que se contrapunha ao PT e aparecia em melhores condições de encerrar esse ciclo, significava a mudança possível de acontecer. Houve o falecimento do Eduardo com a entrada da Marina e, pela sua dimensão pessoal e por já ter disputado uma eleição presidencial, ela ocupou esse espaço também como uma possibilidade concreta de mudança. Além da insatisfação generalizada, ela encarnava a possibilidade de retirar o PT do poder. Só que vai ficando claro ao longo dessas últimas semanas a inconsistência da proposta da Marina e a ausência de quadros qualificados que possam permitir a implementação daquilo que ela propõe. [...]
Nossas pesquisas internas começam a demonstrar, Brasil afora, que há uma recuperação geral da nossa candidatura. É que a Marina na verdade é muito parecida com aquilo que era o PT quatro anos atrás. A enorme afinidade da Marina com o próprio PT, por que militou por mais de 20 anos, está levando as pessoas a perceberem que trocar a Dilma pela Marina é na verdade trocar seis quase que por meia dúzia. [...] É a hora da razão, a onda da razão começa por Minas, que é o Estado do equilíbrio.”

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Cor Original do Teatro Amazonas

Esse é um assunto que até hoje gera dúvida, qual é a verdadeira cor da fachada do Teatro Amazonas na sua inauguração e por que se mudou? E com essa atual reforma por que tem aquela cor dourada no fundo das letras e por que as escritas estão em azul? Mas as letras não eram brancas?
Para a inauguração do Teatro Amazonas, vieram da Europa famosas companhias teatrais.
Para a inauguração do Teatro Amazonas, vieram da Europa famosas companhias teatrais.
Durante o restauro da pintura externa do Teatro Amazonas, foram encontrados folhas de ouro e as letras azul ficaram expostas no lugar do tradicional branco. foto : José Hilton
Durante o restauro da pintura externa do Teatro Amazonas, foram encontrados folhas de ouro e as letras azul ficaram expostas no lugar do tradicional branco.
foto : José Hilton
Para iniciar, segue o projeto da fachada do Teatro Amazonas. Notar como era levemente diferente do que foi terminado, sem contar que no projeto original nem mesmo havia a cúpula.
Projeto da Fachado do Teatro Amazonas Álbum : In the city of Manós and the Country of Rubber tree (1893)
Projeto da Fachado do Teatro Amazonas
Álbum : In the city of Manós and the Country of Rubber tree (1893)
Para falar sobre a cor do Teatro Amazonas vou usar trechos do livro que estou lendo que se chama “Manaus . História e Arquitetura (1852-1920)” de Otoni Mesquita.
Durante o restauro da pintura externa do Teatro Amazonas, foram encontrados folhas de ouro. foto : José Hilton
Durante o restauro da pintura externa do Teatro Amazonas, foram encontrados folhas de ouro.
foto : José Hilton
Recentemente a Secretária de Cultura do Estado do Amazonas (SEC) está pintando a parte externa do Teatro Amazonas, até ai normal, mas, desta vez aconteceu algo extraordinário, quando o pintor estava raspando as palavras e viu que ao invés de branco as palavras eram azuis. Continuando com a raspagem o nosso humilde operário, encontrou uma camada profunda, na cor dourada,e foi ai que chamaram os técnicos responsáveis e especializados.
A cor azul do Teatro Amazonas foi usada durante a Ditadura Militar conforme segue o texto abaixo. foto : José Hilton
A cor azul do Teatro Amazonas foi usada durante a Ditadura Militar conforme segue o texto abaixo.
foto : José Hilton
Bem, foram descobertas então folhas cobertas de ouro por baixo de um vidro protetor. O ouro foi aplicado em pequena quantidade, mais ou menos na mesma proporção que existe no salão nobre do teatro.
Significa que foram anos e anos de intervenções mal sucedidas, pintando de várias cores uma parte em que jamais poderiam ter escondido, pois aquilo é ouro! Parabéns ao humilde trabalhador que encontrou esta preciosidade.
O Teatro Amazonas é de Ouro! foto : José Hilton
O Teatro Amazonas é de Ouro!
foto : José Hilton

A cor do Teatro

Nas últimas décadas, difundiu-se, entre o meio artístico e intelecutal amazonense, uma certa rejeição relacionada ao adocicado cor-de-rosa adotado na pintura atual do Teatro Amazonas. Ignora-se, exatamente, o porquê desta opção, mas observa-se que variações desta cor eram frequentemente usadas nas fachadas dos prédios do século 19; além disso, nota-se que fachadas de teatros divulgadas em 1983, eram tratadas em tons rosa, e isto pode ter orientado na escolha da cor. No entanto, vale ressaltar que os projetos de fachadas eram convencionalmente apresentados em tons rosa seguindo uma determinação divulgada pelo regimento n° 20, da Repartição de Obras Públicas, organizado em julho de 1869 e que determinava que as plantas deveriam utilizar variações dessa cor para indicar as diferentes alvenarias aplicadas nas obras.
Teatro Amazonas em Obras. A frente do Teatro Amazonas vista de lado. O Teatro é o maior símbolo da cidade e passou por diversas reformas ao longo dos anos, inclusive mudando de cor diversas vezes (há controvérsia de qual seria a cor original). Durante a Segunda Guerra Mundial chegou a virar um simples depósito.
Teatro Amazonas em Obras. A frente do Teatro Amazonas vista de lado. O Teatro é o maior símbolo da cidade e passou por diversas reformas ao longo dos anos, inclusive mudando de cor diversas vezes (há controvérsia de qual seria a cor original). Durante a Segunda Guerra Mundial chegou a virar um simples depósito.
Recentemente (1990), o historiador Mário Ypiranga Montero (Manaus, 23 de Janeiro de 1909 — Manaus, 8 de Julho de 2004) apresentou novos dados sobre a cor original do Teatro Amazonas, baseado no conteúdo de uma ordem de serviço emitida pelo governador Fileto Pires Ferreira que , em 25 de agosto de 1897, autorizava Henrique Mazzolani “a executar a pintura externa, de cores cinza e branca concluindo, portanto, que, estas seriam as cores originais adotadas na pintura do Teatro Amazonas. Monteiro informa que o uso do cor-de-rosa nos prédios de Manaus é recente e de autoria do engenheiro Victor Troncoso.
Construção do Teatro Amazonas – 1896 Fonte: Carmélia Esteves de Castro Coleção: Jorge Herrán
Construção do Teatro Amazonas – 1896
Fonte: Carmélia Esteves de Castro
Coleção: Jorge Herrán
Teatro Amazonas em final de construção Fonte: Álbum do Amazonas 1901-1902 Coleção: Jorge Herrán
Teatro Amazonas em final de construção
Fonte: Álbum do Amazonas 1901-1902
Coleção: Jorge Herrán
Teatro Amazonas e o primeiro Monumento de Abertura dos Portos
Teatro Amazonas e o primeiro Monumento de Abertura dos Portos
Ignora-se quando o edifício recebeu nova pintura, mas deduz-se que em função da crise financeira que assolava a região este serviço só tenha ocorrido em 1929, quando ocorreu a primeira reforma do prédio, mas nota-se que a pintura do Teatro Amazonas apresentava uma variação de quatro tons: o mais escuro restringia-se ao barramento da construção, um tom um pouco mais claro revestia o andar térreo e o tímparodo frontão, enquanto que as paredes do segundo pavimento e do andar ático apresentavam um tom mais claro, e os cunhais, colunas e o demais elemntos ornamentais apresentavam o tom mais claro, talvez branco ou creme.
Teatro Amazonas anos 30
Teatro Amazonas anos 30
Teatro Amazonas anos 40
Teatro Amazonas anos 40

Em sua primeira reforma, o prédio foi pintado em cor-de-rosa e branco e esta cor foi mantida em sua segunda reforma em 1960.
Teatro Amazonas anos 50
Teatro Amazonas anos 50
Teatro Amazonas no anos 60
Teatro Amazonas no anos 60
Teatro Amazonas e o segundo monumento de Abertura dos Portos da Amazônia nos anos 60
Teatro Amazonas e o segundo monumento de Abertura dos Portos da Amazônia nos anos 60

Durante a sua terceira reforma de 1974, causou grande polêmica na cidade, porque embora se tenham resgatado algumas características originais do prédio, pintou-se a fachada em azul e branco, sendo rejeitada por parte da população; por isso, na restauração ocorrida em 1989, retomou-se o tom rosado, porém, menos pastel que o aplicado anteriormente, e substituiu-se o branco por um tom creme, amenizando o acentuado contraste que outrora caracterizava a fachada do edifício.

Teatro Amazonas na cor azul na década de 70
Teatro Amazonas na cor azul na década de 70
    Panorâmica do Largo São Sebastião e o Teatro Amazonas azul nos anos 70
Panorâmica do Largo São Sebastião e o Teatro Amazonas azul nos anos 70

Teatro Amazonas Azul em 1979
Teatro Amazonas Azul em 1979
Teatro Amazonas se preparando para mais uma pintura em 1988
Teatro Amazonas se preparando para mais uma pintura em 1988

Teatro Amazonas durante a reforma de 1989 na qual voltou a ser cor de rosa
Teatro Amazonas durante a reforma de 1989 na qual voltou a ser cor de rosa
Teatro Amazonas após a reforma, ja no ano de 1991
Teatro Amazonas após a reforma, ja no ano de 1991

Teatro Amazonas em 1995
Teatro Amazonas em 1995
Isso explica a cor azul encontrada na parede lateral do Teatro Amazonas nessa última pintura de 2012, que acho que ficou meio laranjado/rosa.
Teatro Amazonas após a pintura de 2012
Teatro Amazonas após a pintura de 2012

Hoje em dia nosso Teatro Amazonas, sem dúvida a maior herança da Bela Época

Pôr do sol no Teatro Amazonas foto : Lucia Barreiros
Pôr do sol no Teatro Amazonas
foto : Lucia Barreiros
Teatro Amazonas o maior cartão postal de Manaus foto : Jorge Herrán
Teatro Amazonas o maior cartão postal de Manaus
foto : Jorge Herrán

Teatro Amazonas foto : Jorge Herrán
Teatro Amazonas
foto : Jorge Herrán
Curumim do Monumento de Abertura dos Portos e ao fundo o Teatro Amazonas foto : Wyllis Santarém
Curumim do Monumento de Abertura dos Portos e ao fundo o Teatro Amazonas foto : Wyllis Santarém

Aécio vai estimular financiamento e reinserção de jovens no mercado

Aécio vai estimular financiamento e reinserção de jovens no mercado

Candidato visitou Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, com o cantor Fagner.


A desburocratização das micro e pequenas empresas e o estímulo à reinserção de jovens no mercado de trabalho foram duas das principais propostas apresentadas pelo candidato da Coligação Muda Brasil à Presidência da República, Aécio Neves, no Rio de Janeiro neste domingo (21/09). Aécio disse que em seu governo o Estado financiará e será parceiro de instituições que atendem a crianças e jovens em todo o país.
“Se o Estado depender apenas dele próprio e de programas específicos unilaterais, o alcance será muito menor. O que nós queremos é utilizar estruturas para ampliarmos o atendimento a jovens e crianças. Acredito que o esporte e a cultura são instrumentos valiosíssimos de reinserção social e até mesmo de qualificação profissional”, afirmou.
Segundo Aécio, o Estado será parceiro de “organizações exemplares como essas”. “Se nós compreendermos que é importante que o Estado seja parceiro de todo o tipo de organização da sociedade – obviamente as sérias e responsáveis – vamos certamente ampliar o número de atendimentos.”
Apoio
Ao lado do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) e do cantor e compositor cearense Raimundo Fagner, Aécio fez uma visita ao Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, mais conhecido como Feira de São Cristóvão, na capital fluminense.
Em entrevista coletiva, o candidato afirmou que pretende aproveitar a estrutura de organizações como a Fundação Raimundo Fagner e a Zico 10, do ex-jogador de futebol Zico, para ampliar os serviços oferecidos pelo governo.
Aécio agradeceu o apoio de Zico e Fagner à sua candidatura. Para o cantor e compositor cearense, Aécio representa a melhor alternativa para tirar o país do atraso e conduzir o Brasil ao caminho do crescimento e desenvolvimento.“Estou com Aécio porque confio, porque conheço e acho que ele merece essa chance de botar o Brasil para frente, e a gente passar desse atraso que estamos vivendo. É uma pessoa jovem, mas com muita experiência. Deem essa chance para o Aécio, para o Brasil”, completou Fagner.
Desburocratização
Aécio comprometeu-se também com a desburocratização de micro e pequenas empresas, como forma de estimular o empreendedorismo e gerar mais renda e empregos para todos os brasileiros.
“Na nossa proposta de governo, vamos dar uma ênfase muito grande na desburocratização das pequenas e microempresas. Vamos aumentar o limite para que as empresas façam as suas declarações com base no lucro presumido. Isso atenderá as empresas médias e também os profissionais liberais e vai estimular que essas pessoas empreendam cada vez mais”, detalhou.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

As Amazonas

Os pássaros parecem voar com mais alegria. O verde cativante emoldura um bordado de águas mágicas. O céu reflete um azul misterioso, dando intenso brilho num cenário único e encantador. Assim vejo a foz do Rio Nhamundá na Amazônia. Esta ímpar paragem abrigou por várias gerações uma tribo, ramificada ao longo do rio, formada por lindas mulheres guerreiras descritas por Frei Gaspar de Carvajal com estas palavras:
“São muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios”.
Esta narração teve grande repercussão na Europa e noutros continentes, sobre esta tribo de belas e valentes nativas.
Icamiabas guerreiras do Nhamudá
Icamiabas guerreiras do Nhamudá
Em 1541, o aventureiro e explorador espanhol, Francisco de Orellana foi o primeiro navegador a completar o trecho desde os Andes até o Oceano Atlântico. A cada região que a expedição passava, deparava-se com encantos e surpresas. Navegavam pelo Mar Dulce (nome dado ao Rio Amazonas por Vicente Yáñez Pinzon). O explorador Pinzon, que participou da primeira expedição de Cristovam Colombo, descobrindo em 1492 a América, não navegou por completo o Rio Amazonas. No momento que Orellana vislumbrava uma das mais encantadoras paisagens, foi surpreendido com um fulminante ataque por uma tribo de mulheres às margens do Rio Nhamundá, que lançavam flechas e dardos de zarabatanas, aprisionando Orellana. Houve confronto e mortes, flechas voam contra os barcos, acertando inclusive nosso cronista que morreria caolho.  Porém a comitiva de Orellana, depois de perder a metade da tripulação no confronto, conseguiu fugir levando alguns índios aprisionados. Estes índios, que serviam às mulheres, foram longamente interrogados, relatando os costumes, o modo de vida daquela tribo e as tradições das guerreiras. Informou também que existiam setenta aldeias das valentes índias ao longo do Rio Nhamundá. Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) foi assim batizado por Orellana, comparando com as Amazonas da mitologia grega. Hoje, o Rio Amazonas, o maior rio do mundo, é referência do planeta Terra, e o mito das Amazonas continua vivo nas nossas lembranças culturais.
Guerreiras Gregas e Guerreiras Indígenas
Guerreiras Gregas e Guerreiras Indígenas
As índias Amazonas, guerreiras do Nhamundá, eram altas, esbeltas, formosas, ágeis e corajosas. Moravam em casas edificadas em pedra, com portas e portões resistentes, tais como fortalezas. Manuseavam com extrema habilidade o arco e a flecha, protegendo seu povo com muita coragem e determinação. Não tinham maridos e viviam isoladas de homens. Raptavam machos nas tribos vizinhas para acasalamento, ficando com estes trabalhando em serviços pesados, até terem certeza de que estavam prenhas. Os filhos do sexo masculino ficavam em suas companhias durante o período de amamentação, sendo levados posteriormente para a aldeia do pai. Ficavam com as filhas fêmeas, as quais eram educadas no regime das Amazonas. Desde criança, o seio do lado direito das meninas era atrofiado com queima e outros processos que elas desenvolveram, para facilitar o manuseio do arco e flecha. Montavam em potros bravos, amansavam cavalos do mato com destreza para as lidas diárias e fiscalização dos seus territórios. Elas mantinham suas aldeias com muito trabalho e garimpagem de ouro e prata.
O significado do termo amazona é incerto, entre as principais hipóteses, estaria uma provável derivação do gentílico iraniano *ha-mazan-, que significaria originalmente "guerreiras". Já outra teoria diz que o termo significa "sem seio", em grego, já que, segundo algumas versões do mito, as amazonas cortavam um dos seios para melhor manejar os arcos.
O significado do termo amazona é incerto, entre as principais hipóteses, estaria uma provável derivação do gentílico iraniano *ha-mazan-, que significaria originalmente “guerreiras”. Já outra teoria diz que o termo significa “sem seio”, em grego, já que, segundo algumas versões do mito, as amazonas cortavam um dos seios para melhor manejar os arcos.
A Lua era a Deusa e protetora das Amazonas.  O dia de lua cheia era intensamente festejado, com danças, cânticos e oferendas. As filhas de Jaci coroavam-se de flores e, num ritual místico, antes da lua atingir o ponto mais alto, conduziam potes com perfumes e derramavam no lago como gesto de purificação. Consideravam o lago como sagrado e espelho da lua. Quando a lua atingia o ponto mais alto no espaço, elas festejavam e mergulhavam no fundo do lago, trazendo um barro esverdeado. Moldavam essa argila, dando formas variadas, entre elas: rãs, peixes e tartarugas. A escultura tornava-se um amuleto, com interessantes formas, muito resistente, denominado muiraquitã. Penduravam no pescoço, certas da energia contra moléstias, desgraças e influências negativas.
O rio Nhamundá, com seu lindo espelho d'água.
O rio Nhamundá, com seu lindo espelho d’água.
Hoje, o Rio Nhamundá continua com o mesmo encanto, com a rara beleza do lugar, que um dia teve o privilégio de abrigar as formosas e encantadoras índias chamadas de Amazonas.
Autor: Carlos Antônio

O lado B da Lenda das Amazonas

O relato chegou á Espanha e deixou á todos de queixos caídos. Anos depois, seguindo a expedição do português Pedro Teixeira, o padre Cristóbal de Acuña (1638-1639) faz o mesmo trajeto e ainda procura pelas míticas amazonas. Walter Rayleigh (1617), corsário inglês, viajará ao Orinoco á procura de seu reino e até o cientista francês La Condamineau (1743-1744) se perguntará onde estão as mulheres guerreiras, assim como seu colega cientista Alexander Von Humboldt (1799-1804).
É possível que elas existiram? Se sim, o que aconteceu com elas? Muitos se dedicaram á responde essa questão. Alguns encontram na tradição tupi, as amazonas na forma das icamiabas, mulheres que não concordaram com as leis propostas pelo herói-reformador Jurupari para sujeitar á mulher ao homem.
Amazona ensinando a filha a atirar com arco e flecha
Amazona ensinando a filha a atirar com arco e flecha
Em muitas etnias amazônicas, a mulher tem um papel importante, substituindo o homem em certas funções como a caça e a pesca. No entanto, notícias sobre uma tribo feito somente por mulheres guerreiras ficaram restritas ao período colonial. Pesquisadores encontraram outro nome para elas: Icamiabas ou “mulheres sem maridos”. Icamiaba também era o nome de um morro no Equador, mas verificou-se que ali não habitavam mulheres guerreiras.
Amazona tomando banho na lua cheia
Amazona tomando banho na lua cheia
Terá Carvajal inventado tudo isso? Essa é outra hipótese. No relato do frade aparecem menções á gigantes, assim como nos relatos posteriores também surgiram as figuras de monstros acéfalos, dragões, sereias, etc. O historiador Auxiliomar Ugarte trabalha com a hipótese de que a consciência do fabuloso e a perspectiva de explorar algo totalmente novo tenha confundido e muito seus primeiros exploradores.
Afinal, estamos falando de homens que ainda conviviam com um imaginário medieval, um imaginário fantástico. Carvajal interpreta esse novo mundo segundo o referencial de sua cultura. O historiador Antônio Porro acredita que Carvajal tenha confundido um povo, os Conduris, com as mulheres guerreiras, por causa de suas feições físicas e da região que então habitavam.
Icamiabas tomando banho de cachoeira
Icamiabas tomando banho de cachoeira
As amazonas são parte, uma das mais importantes, do imaginário construído sobre a região. Um imaginário que enxerga nessa região tão enigmática e desafiadora ora o paraíso ora o inferno. Um imaginário que se modifica com os séculos, mas que mantém um certo traço essencial: a de uma natureza exuberante convivendo com um povo “selvagem” ou “inferior”.
Guerreiras Icamiabas
Guerreiras Icamiabas